sábado, 16 de março de 2019

REFLEXÃO: Escola e Sociedade


Referencias: 
FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade.
SNYDERS, George. Escola, Classe e Lutas de Classes.
FILME: A onda – Link: https://www.youtube.com/watch?v=zG3TfjAhs30
FILME: IF – Link: https://www.youtube.com/watch?v=mufpDXIss5A&t=387s


Avaliar a história da humanidade a partir da formação da sociedade tal como encontra-se hoje, ou seja, tomando com ponto de partida histórico o século 15, fica evidente uma característica marcante na personalidade deste, o egoísmo. O homem mostrou-se um ser com alto potencial de egoísmo, logo permite-me refletir sobre a grande e real necessidade de trabalhar este aspecto de forma contundente com foco em detê-lo na medida em que veementemente insista em percorrer este caminho.

O papel da família, da igreja, da escola e da comunidade como um todo é um elemento determinante para se lograr êxito no combate aos possíveis frutos indigestos proporcionados pelos seres humanos que se deixam levar pelo seu egocentrismo.

A educação ao meu ver ocupa uma posição protagonista no processo de formação cognitiva do indivíduo no contexto de torna-lo um ser civilizado e apto a participar da construção da sociedade tal qual almejamos; é na educação aonde é possível encontrar os elementos chaves e fundamentais para direcionar o indivíduo a plenitude social.

Penso que uma coisa deve estar clara para todos nós sobre o processo educativo do ser humano; há maior probabilidade de se alcançar níveis de excelência ainda não alcançados na medida em que aplicarmos o fator de contribuição coletiva que seja harmônica e sincronizada na ação de cada responsável conforme descrevi no segundo parágrafo desta reflexão, ou seja, não será da família o papel exclusivo de formar o cidadão e o entrega-lo em condições plenas de se sociabilizar coletivamente em sua comunidade, nem da igreja, nem da escola nem por conseguinte da comunidade.

Estes agentes estão de certa forma interligados e naturalmente na medida em que uma falha em algumas das etapas que lhe compete cumprir, o outro agente possivelmente será sobrecarregado e terá trabalho quem sabe além das suas “responsabilidades primárias”, para além de cumprir com o que socialmente lhe é de competência ter que se propor de alguma forma a preencher a lacuna que pelo outro agente outrora não foi de forma excelente cumprida.

Veja, cada um destes agentes de transformação social tem a capacidade de em seu processo educativo, enraizar valores em seus coo-responsabilizados na medida em que aplicam suas formas de influência ao ponto que para que haja uma ruptura junto a estes valores se fará necessário um ato que talvez tenha que lhe custar a própria vida; vale ressaltar que me refiro a valores que consideramos fundamentais e porque não dizer vitais. Valores que consideramos como princípios. Logo, como diz o ditado: “todo cuidado é pouco”; na maioria das vezes o que temos em nossas “mãos”, é o futuro da nação, a perpetuação de uma história e o bem-estar coletivo acima de tudo.

Em linhas gerais, ao que me parece, é na escola aonde se dá a maior parte do tempo da vida humana. Partindo deste pressuposto a humanidade e seus “representantes políticos”, tais como nos moldes que conhecemos hoje, resolveram se apoderar desta fase e espaço de tempo para imprimir seus ideais políticos e concepções de sociedade. Vejam, até onde isso é bom e ao mesmo tempo até onde isso é ruim? Talvez os ciclos históricos de cada nação, povo, sociedade possam falar melhor do que eu.

A reflexão que eu gostaria de abordar na realidade perpassa na forma de como isso se passou, se passa e se passará. Em primeira instancia eu diria que a vida humana do século 15 até os dias de hoje, o século XXI, a famosa era do conhecimento, sempre passou e está passando por processos de mudanças, certo? A vida humana mostrou-se dinâmica, houve progressos em diversas, se não em todas as áreas; claro que mais em algumas do que em outras, mas o fato é que o homem foi progredindo socialmente e a realidade da vida humana foi ganhando novas conotações principalmente no contexto do advento da tecnologia. Desta forma é possível afirmar que é inerente a vida humana a mudança e a possibilidade de progresso. No entanto, ao afirmar esse natural movimento, em minha ótica se faz necessário refletir sobre quais caminhos foram percorridos para se alcançar os possíveis progressos, assim como, o que foi preciso abrir mão para se trilhar os caminhos que nos trouxeram até aqui, nas condições políticas, sociais e culturais na qual nos encontramos.

Seria possível afirmar que algumas ideologias e movimentos não tiveram êxito político e social em sua proposta ideológica pelo simples fato de não terem se apropriado da escola tal como seu instrumento de “implantação”, ou disseminação das suas bases e propósitos? Ou caso tenham se apropriado, não o fizeram de forma que a estratégia escolhida não foi apropriada a época ou ao modelo social estabelecido pelo todo? Será ou seria de fato uma boa e provável alternativa seguir este caminho? Veja, me parece que sim. A escola, o sistema educacional e os atores educacionais, em minha opinião possuem grande relevância no processo de transformação social. Encaro a educação e o processo educativo no ambiente escolar como uma mina de ouro de valor inestimável, deste ambiente é possível mover o mundo, penso que o céu talvez seja o limite para tudo o que emana do ambiente escolar. A força intelectual de um ser humano vai além dos limites territoriais, este quando unido a um coletivo é talvez uma das maiores oposições frente a tudo o que possa querer comprometer o bem-estar geral de uma nação, comunidade ou sociedade global.

Não é à toa que o capital se apodera do processo educativo no ambiente escolar para consolidar suas teses e desejos. É um caminho seguro, inteligente e me parece que sustentável tudo o que se propõe por meio da escola. Na escola de hoje, mais do que nunca se reproduz a formação social do capitalismo, por conseguinte fica cada vez mais evidente a separação de classes e os conflitos instaurados.

Ainda acredito que é também na escola que temos maior probabilidade de corrigir os desajustes sociais que se reproduzem nela, mas que não são essencialmente pertinentes dela. Mas para que isso ocorra talvez seja necessário revisitar os ideais de uma escola, trazer os demais atores (família, igreja e comunidade), para mais próximo dela, e colocar em primeiro e último lugar a civilidade e o bem-estar geral.

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