quinta-feira, 16 de maio de 2019

REFLEXÃO: Ética e Cultura Hacker





Fonte: BONILLA, Maria Helena. Software livre e formação de professores: para além da dimensão técnica. In: FANTIN, Monica; RIVOLTELLA, Pier Cesare (orgs.). Cultura Digital e escola: pesquisa e formação de professores. Campinas, SP: Papirus, 2012.



Pensar em ética e cultura hacker hoje significa uma quebra de paradigma. Aquele conceito um tanto quando enigmático e pejorativo deu lugar a um conceito amplo de democratização de acesso à tecnologia e ao conhecimento de forma ampla e construtiva de tal forma que venha a engendrar capacidade e engajamento ao sujeito do século XXI.

Imaginar uma escola desarticulada no contexto das tecnologias digitais, sem usufruir de suas potencialidades, é prever um futuro de certa forma comprometedor aos cidadãos que dela necessitam para parte de sua formação educacional. A ética e a cultura hacker na forma de uma tecnologia digital perpassam de forma significativa pelas dimensões cultural, política e filosófica. A mensagem acima de tudo subjetiva que a cultura hacker transmite é de uma insatisfação com o modelo capitalista impregnado na sociedade, onde a ideia de colaboração, criatividade e libertação dos padrões instrumentalistas excludentes são mais do que nunca necessária.

No entanto é importante reconhecer que as coisas não são tão fáceis assim. Considerando a forma e o contexto das relações sociais presentes, onde as amarras do capitalismo mantem-se hegemônico na condução das relações sociais e vão padronizando a cultura ao seu modo de pensar e agir, chama-nos a atenção a importância de uma ação coordenada, persistente e estratégica para se contrapor a esta realidade hegemônica. Adotar o software livre apenas por adotar, sem um plano, no caso da educação por exemplo sem a formação adequada para os professores, isto é, sem formação continuada e ampla, assim como, ampliação do escopo de acesso as tecnologias digitais na área educacional, é ter a certeza de que diante das primeiras dificuldades haveremos de desistir, pois a ideia do difícil e complexo manuseio do recurso é real, principalmente comparado com os modelos convencionais ofertados pelo modelo proprietário.

As práticas sociais enraizadas no capital estão postas, elas têm uma forma, uma característica, que desde já afirmo, nada democrática nem muito menos colaborativa e de bem-estar geral; resta-nos interpretar, identificar quais forças nos impede de mudar esta realidade e propor teoricamente e na prática, meios de subjugarmos o que nos oprime. Creio que uma dessas formas é o adequado e articulado uso da ética e da cultura hacker.


terça-feira, 7 de maio de 2019

REFLEXÃO: Tecnologia Assistiva



Fonte: BERSCH, Rita. Introdução à Tecnologia Assistiva. Assistiva.Tecnologia e Educação, Porto Alegre, RS: 2017.


Esta semana eu fiz duas grandes e significativas descobertas, a primeira foi sobre a diferença entre “solidão” e “solitude”, ou seja, percebi que sempre me confundia na hora de aplicar a palavra solidão para determinados contextos que na realidade se requeria ou se referia a “solitude”, e que ambas estão praticamente em sentidos opostos apesar de se utilizarem do mesmo “ambiente/situação”; mas enfim não é o caso da minha proposta reflexiva, portanto não gastarei mais tempo para conceituar ou descrever detalhes a respeito, o que quero é afirmar que a vida é uma constante descoberta. A segunda descoberta foi a respeito do objeto de reflexão desta reação, isto é, “tecnologia assistiva”, até então já havia presenciado situações e visto nas mídias algo relacionado, mas não tinha um conhecimento teórico a respeito.

Notem que em um determinado ponto do parágrafo anterior me refiro e vida como “uma constante descoberta”, desta forma, meu ponto de partida nesta reação é justamente esse movimento inerente a vida humana. Veja, em meu entendimento nenhum ser humano veio ao mundo, a despeito da situação física e ou cognitiva, para ser ou estar limitado ao que física ou cognitivamente a vida lhe impôs por alguma razão natural ou situacional intencional, ou talvez uma variável incontrolável. Incontestavelmente a dignidade é para todos, e o potencial da tecnologia assistiva neste contexto é expressivo.

A sensação de realização move a vida humana, me recordo de inúmeros casos pessoais desde minha infância até o dia de hoje, onde pude indescritivelmente sentir-me feliz e realizado por alcançar determinados objetivos de um simples check-list de tarefas, ou seja, ter a sensação de que podemos alcançar algo mesmo estando limitados física ou cognitivamente é estupendo.

Aquilo que é impossível para alguém com deficiência, torna-se possível por meio das tecnologias assistivas e naturalmente um novo mundo se apresenta para os que até então foram limitados pela falta da tecnologia em si ou até mesmo pela falta de interesse dos que lhes rodeiam. Sim, vejo uma infinidade de possibilidades de proporcionar dignidade por meio dos recursos da tecnologia assistiva aos que estão limitados por uma deficiência, mas vejo também vejo um universo de impossibilidades quando me omito de ser o condutor, a ponte que ligará o necessitado a sua realização pessoal. A tecnologia está aí para transpor os limites mais complexos, mas a disposição humana dos que estão em melhores condições de que outros é uma condição sine qua non para que haja materialidade.

Independência, qualidade de vida e inclusão social são possíveis sempre que nos propomos a sair da nossa zona de conforto e, como auxilio podemos dizer que hoje temos a tecnologia assertiva para fazer frente a esta grande obra de emancipação dos que possuem uma deficiência que os limitam em seu processo desenvolvimento físico, intelectual e social.