domingo, 24 de fevereiro de 2019

SÍNTESE do TEXTO: A Contribuição da Fenomenologia a Educação


Texto de: Maria Aparecida Viggiani Bicudo




A primeira grande contribuição da fenomenologia a educação é a proposta do não estabelecimento de limites para o seu desenvolvimento como todo, seja individual ou coletivo. Ao mesmo tempo se propõe o rigor procedimental sem perder de vista as possibilidades de intervenção em toda e qualquer ação. A busca pelo sentido e pelo significado pautam o modo de trabalho da realidade escolar, sem perder de vista o princípio do esclarecimento do conteúdo e da prática escolar. Se tratando da possibilidade de intervenção é proposto lançar um olhar além dos limites do ambiente da sala de aula, visando obtenção de maior consciência e de engajamento. A não imposição de uma verdade teórica e ideológica preestabelecida contribui para uma harmonia entre a fenomenologia e a educação no contexto da prática pedagógica e na pesquisa do campo educacional.

Chama-se a atenção para uma característica preponderante da fenomenologia que é sua capacidade inesgotável de reinterpretação dos fenômenos, apesar de complexo por se tratar do campo da subjetividade, o rigor aplicado gera credibilidade. Apesar de ter como característica contundente a intencionalidade, a ideia de absoluto não cabe em seu escopo conceitual.

Considerando a ideia de que no mundo natural o objetivo diz respeito as coisas em si, ou seja, tudo aquilo que acontece sem nossa percepção, pode-se considerar que o indivíduo é um ator ingênuo a aquele contexto particular, pois neste contexto a mente é apenas uma parte das coisas existentes. Na medida em que as “verdades” que compõem este ambiente ainda não percebido, veem à tona e se faz necessário uma intervenção adequada, consciente, com intencionalidade baseada na reflexão.

Para a fenomenologia ser consciente é ser intencional, logo todo ato está fundamentado essencialmente na consciência. Todo objeto é objeto intencional, sendo assim, o mundo é intencional. O exercício da reflexão possibilita a ampliação do plano de avaliação dos atos da consciência, é passível de tornar-se um objeto intencional e requer distanciamento para maior e melhor compreensão. Neste contexto a crítica ao conhecimento humano é inerente a experiência humana, é dar um passo atrás e olhar o vivido, é dissociar e compreender o contexto em detalhes.

A objetividade do mundo natural é o ponto de partida para a obtenção das ideias claras e distintas, tendo como objetivo explica-lo. A forma transcendental para justificar é composta de exame rigoroso que visa gerar indivisibilidade, pois o objetivo é construído na subjetividade e na intersubjetividade.
Não se trata de negar o mundo, a proposta é lançar um novo olhar sobre tudo e todos, a investigação e a intencionalidade são elementos chaves neste cenário dinâmico e subjetivo. A ideia central é viver consciente, estar atento ao mundo e a si próprio, e tornar este aspecto habitual a ponto de dar relevância a existência; é envolver-se, sentir-se dentro, viver a experiência.

Para explicar a compreensão do mundo estranho, a fenomenologia de Hesserl crer que a compreensão inicial da própria cultura, ou seja, o mundo familiar da cultura da pessoa é estranho de outras culturas, logo o homem tende a construir o outro a partir de seu próprio ego. Sendo assim, a pessoa é correlativa à comunidade e suas propriedades habituais cotidianas.

É importante abstrair para além da linguagem dos ideais subjetivos, fundamentar-se no mundo-vida, atentar para a totalidade das experiências humanas, mas sem deixar de entender as características estruturantes e organizadoras dessa relação. Me parece ser uma condição sine qua no compreender que há o outro no mundo horizonte, afim de que haja maior compreensão do fluxo continuo subjetivo-intersubjetivo-objetivo.

No contexto da atitude natural da fenomenologia e educação é tratada como um objeto passível, o aluno e o professor são sujeitos do mundo físico, o mesmo ocorre com o ensino. Na relação eu-outro entre aluno e professor constroem-se as bases das relações pessoais e sociais com características afetivas cognitivas e psicossociais. Nestas relações ocorrem coisas no campo objetivo e subjetivo e estas necessitam serem interligadas, afim de se chegar à conclusão da adequação ou não do conhecimento gerado, seria o mesmo que avaliar o que foi aprendido em relação ao que foi ensinado. Neste sentido a educação seria tido como processada na medida em que a meta fosse alcançada por ambas as partes.

No contexto do mundo-vida escolar um elemento é fundamental e deve ser colocado em prática que é trabalhar a percepção e a intuição, é fazer com que o mundo ganhe sentido para o professor e para o aluno em todo contexto de atividades desenvolvidas por ambos, visando uma percepção mutua. O ponto chave para que o aluno passe a ter um olhar fenomenológico é a reflexão, e esta tende a ser mais proveitosa quando se origina na vivencia.

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